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Você sabia que o Rio Belém é o mais curitibano dos rios; o único que começa e acaba dentro do território de Curitiba? Ele percorre 35 bairros e tem 21km de extensão. Suas águas nascem no bairro Cachoeira, passam pelo Parque São Lourenço, depois contornam o Palácio Iguaçu, cruzam a Avenida Cândido de Abreu (Centro Cívico), se escondem em galerias subterrâneas e atravessam todo o centro embaixo do cinzento concreto da cidade.

O rio passa também pela rua Luiz Leão, entre o Colégio Estadual e o Passeio Público, segue embaixo da rua Tibagi e vai até as proximidades da rodoferroviária de Curitiba. Geralmente encanado, ele fica ainda mais poluído na região do Prado Velho e passa por toda a Mariano Torres. Por fim, deságua nas cavas do Rio Iguaçu. Ou seja, o Rio Belém está sempre presente na vida dos curitibanos, mesmo que de maneira aparentemente invisível.

Mas até que ponto esta presença está sendo saudável? Ao invés de equilibrar o ciclo hidrológico da cidade e suavizar as construções artificiais criadas pelo homem, o Rio Belém foi extremamente poluído, canalizado e teve seu curso alterado. Triste é saber que, apesar das diversas tentativas de revitalização e limpeza do rio, nada foi efetivamente implantado até agora. De acordo com especialista da área, o índice de poluição da “artéria de Curitiba” é altíssimo, pois grande quantidade de lixo é despejada dentro do Rio Belém – um crime silencioso e perigoso.

Mas nós acreditamos que todos fazemos parte dos problemas, portanto todos fazemos parte das soluções. No Programa Jovens Profissionais do Desenvolvimento (JPD), oferecido pela Sociedade Global, os participantes conhecem lideranças curitibanas e ferramentas para desenvolver uma carreira de impacto. O foco é desenvolver autoconhecimento, mapeamento de atores da cidade em áreas específicas e co-criação de soluções para problemáticas reais. Mais que apenas um curso ou um trainee, o JPD é uma experiência de trabalho que agrega sentido e valor para nossa carreira profissional.

Onde entra o Rio Belém nisso tudo? Durante o primeiro ciclo do programa, que teve a duração de três meses, dois temas de urgência em Curitiba foram mapeados: alimentação e água. Então nos dividimos em dois times interdisciplinares, cada qual com seu foco. Mapeamos as problemáticas dentro de cada assunto e o que os curitibanos pensam sobre isso. O Rio Belém apareceu como algo a ser estudado e solucionado com urgência.

Como parte do processo de investigação do tema, o nosso grupo realizou uma intervenção no Parque São Lourenço, perto da nascente do rio, para ver como as pessoas de lá se relacionam com o rio. O resultado veio em forma de 12 entrevistas, nas quais as pessoas em geral delegaram toda a responsabilidade sobre o rio às autoridades.

Esse foi o primeiro contato com um dos diversos públicos que pretendemos estudar e registrar. Nas outras fases do programa, pretendemos elaborar e implantar, junto com especialistas, soluções reais e adequadas ao contexto e cultura de cada região da cidade. Articular, mobilizar e transformar: esses são os passos para uma ação de impacto sistêmico.

Enquanto ficarmos sentados apenas reclamando, sem elaborar ações reais e possíveis provindas da sociedade civil, o rio continuará morrendo e espalhando sua carniça pela cidade. Falar é fácil, compartilhar um post indignado no Facebook é mais fácil ainda. Mas você realmente faz alguma coisa pela sua cidade? Junte-se à nós, o segundo ciclo do JPD já está começando!